Diversidade nos Jogos Universitários

A diversidade se tornou mais que assunto, debate, ou ação. A Diversidade hoje é realidade.
A Usina Universitária traz uma entrevista inédita com o Risaldo Jr, o Juninho, nosso parceiro na construção de um projeto que aconteceu pela primeira vez no JUCA desse ano e não para de crescer!
Nossa empresa tem orgulho de ser pioneira num projeto que se solidificou em tão pouco tempo, mostrando assim a sua real necessidade. O objetivo principal é expandir, levar para novos jogos e atléticas, impactar e auxiliar na construção de uma sociedade melhor!

Usina: Conte um pouco sobre você e como começou a se envolver com o assunto diversidade.
Juninho:
O envolvimento com o tema começou naturalmente por conta da minha sexualidade e se intensificou com alguns acontecimentos:
1. Saída do armário na faculdade;
2. Intercâmbio para um país onde até hoje não se pode ser gay, o que consequentemente me levou de volta ao armário;
3. Trabalhar em uma ONG que atende pessoas LGBT em situação de vulnerabilidade.
Entendi que tenho um papel nesse processo por ter o privilégio de acessar espaços que a maioria das pessoas não tem. Me vejo como parte do processo de descontração dos preconceitos como um todo.

Usina: Como surgiu a ideia do projeto diversidade?
Juninho: Acho que sempre fui gay, mas foi na faculdade que tudo aconteceu e onde me entendi, me aceitei e sai do armário. Passei por todas as entidades acadêmicas durante a graduação, participei inclusive da LAACA (liga organizadora do Juca) e não me lembro de ter tido problemas por conta da sexualidade, muito pelo contrário até consegui emplacar bastante coisa na época. Então eu achava que o meio universitário era um espaço ok para as pessoas LGBTs.
Após o Juca de 2016 foi criado um post em um grupo em rede social convidando o pessoal a denunciar eventuais acontecimentos e, infelizmente, bombou! Foram mais de 200 comentários. A partir dessa postagem fiz um relatório que foi enviado à Usina Universitária e à Liga organizadora do evento e comecei a desenhar o projeto que foi patrocinado pela Usina no ano seguinte e começamos a implementa-lo.

Usina: No que consiste o projeto?
Juninho: Consiste no primeiro momento em gerar reflexão e provocar as pessoas para que entendam que as coisas estão muito longe de estar ok e que elas têm um papel nesse processo e isso é feito através de formações com pessoas que manjam das frentes trabalhadas: gênero, raça e sexualidade.
Após a formação o trabalho continua com o acompanhamento das entidades no desenvolvimento de eventos e na comunicação. Além de estruturarmos um projeto com ações práticas para acontecerem durante os eventos. Precisamos sair do Online e começar a trabalhar de forma pratica também!
Uma outra frente de trabalho realizada em conjunto com a Usina Universitária, é a sensibilização de staff e fornecedores que trabalharão no evento. Somos responsáveis por apresentar o projeto, tirar dúvidas e orientar sobre como agir em determinadas situações.

Usina: Qual a importância do Diversidade para as atléticas, fornecedores e universitários?
Juninho:
Toda! Somos responsáveis em garantir que a experiência no evento vai ser equalitariamente positiva para todos os participantes. Entendo que todos os players tem um papel no processo de inclusão e desconstrução do preconceito. Sem diálogo, engajamento no assunto e só com post em redes sociais (o que também é importante, mas sozinho não funciona) as coisas não mudam.

Usina: Qual foi/é o maior desafio ao gerir o projeto?
Jununho:
É justamente a falta de diversidade e representatividade. O projeto trata de convivência, algo que deveria acontecer de forma natural, mas não acontece. Ao mesmo tempo temos, usando a questão LGBT como exemplo, uma parcela muito grande (muito maior do que a que está nas faculdades inclusive) lutando pela sobrevivência. Desde o início foram 39 atléticas que participaram (e ainda participam <3), por volta de 550 pessoas nos eventos e formações e somente uma pessoa trans esteve na plateia. A conta não fecha, sabe? Da mesma forma que o público foi sempre majoritariamente branco e de classe social mais alta. As faculdades, e isso independe das atléticas, não são diversas.

Usina: Quais as próximas metas a serem cumpridas? O que você espera do Diversidade ao longo prazo?
Juninho: O grande sonho é que o projeto não precise existir por muito tempo. rs
Que as ações, campanhas e eventos se tornem algo intrínseco aos projetos das atléticas e o tema seja abordado e trabalhado naturalmente. Que o pessoal se entenda de fato como parte do processo e comece a questionar o porque desses espaços serem tão brancos, heterocisnormativos e masculinos (e violentos). O esporte universitário é majoritariamente liderado por mulheres, algumas faculdades já contam com mais minas em quadra do que caras e, ainda assim, assédios e estupros seguem acontecendo em uma escala assustadora. Espero que o projeto contribua para a diminuição desse e de outros tipos de ocorrência, da mesma forma que sirva para entendermos que o nosso lugar é onde quisermos que ele seja.

O esporte universitário é coisa séria.

E ele é para todos

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